Infelizmente chegou a hora de deixar a “casa”.
Pouco a pouco as pessoas que construíram aquele espaço comigo foram saindo. Outras pessoas chegaram e eu era uma das únicas que permanecia ali. Verdade que a casa já não tinha mais o mesmo astral e energia de antes, mesmo assim quis ficar.
Comodismo? Não. Hoje avalio que era comprometimento sincero com uma idéia e compromisso com mulheres que começaram a trilhar um novo caminho comigo.
O compromisso ainda existe, mas a força foi se esgotando. Percebi que já estava lutando sozinha fazia algum tempo, por isso vinha me sentindo tão cansada, esgotada. Cada vez sentia mais falta dos amigos que “me blindaram” durante tanto tempo, dos nossos momentos de trocas de idéias, nos quais conversas aparentemente simples sobre a vida e o cotidiano, traziam à tona a temática das relações de gênero e da violência contra mulher.
Finalmente decidi partir. Tomar essa decisão foi extremamente difícil, pois implicava abrir mão de uma temática de estudo (que até aqui me rendeu muitos frutos), para me envolver com alguma outra coisa, ainda incerta.
Depois do Maria do Pará, nunca mais serei a mesma. E como é bom constatar isto! Em pouco mais de dois anos de trabalho, aprendi muito e mudei muito: minha percepção de mundo; do que é ser homem e do que é mulher. Mas o melhor de tudo foram as amizades que fiz, amizades sólidas, que mesmo sem a convivência diária na “casa”, ainda se mantêm e tudo indica que se manterão por muito tempo. Mais do que amigos, passamos a ser todos cúmplices de nossas mudanças pessoais.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
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