A tecnologia é maravilhosa e muitas vezes viciante. Não me imagino mais sem acessar a minha conta do Gmail. O Email nos proporciona ter acesso as informações de maneira rápida e eficiente, e em algumas situações isso é fundamental. Fico imaginando quanto tempo as pessoas ficavam esperando para receber uma carta contando notícias de uma pessoa querida que estava longe, e o pior é que quando a carta chegava às mãos do destinatário, já devia estar até desatualizada!
Ainda assim, eu adoro o bom e velho papel! Ontem, depois de ter encontrado dentro de um livro, um postal do Parque do Ibirapuera, enviado em 2007 por um amigo recém-mudado para São Paulo, eu fiquei pensando em mil argumentos pra não abandonarmos nunca hábitos antigos como escrever cartas, diários, bilhetinhos, enfim, qualquer coisa que nos permita a possibilidade de sermos surpreendidos por lembranças gostosas de pessoas e situações importantes. Sim, porque em se tratando de papel temos essa vantagem: se você não quer entrar em contato com registros que não são mais desejáveis de serem vistos, existem duas opções: rasgar e jogar no lixo ou colocar tudo dentro de uma caixa e guardar em lugar inacessível. Eu prefiro essa opção, pois um dia pode-se querer visitar as caixas do passado como se dessa forma pudéssemos visitar o nosso museu pessoal.
Todos os outros papéis legais (incluindo dinheiro!), eu gosto de guardar despretensiosamente em livros que eu sei que um dia qualquer eu irei reler. Recentemente, outra alegria recebida de dentro de um livro ("Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres", da Clarice Lispector) foi uma carta recebida no Natal de 2010, do então namorado e hoje marido. Na leitura atual daquela carta, tudo que estava sendo dito naquela época fez muito mais sentido e isso me deixou ainda mais feliz.
Acho melhor deixar tudo isso registrado no meu caderninho vermelho de anotações...




