Nunca havia estado naquele lugar antes. Tudo era novidade e o meu olhar era curioso em relação a tudo que via. Medo? Não, não havia nenhum.
É uma cidade. Tem seus moradores, leis, administração própria, mapa que indica as quadras, os nomes das ruas e os números dos domicílios. Tudo para facilitar a localização dos visitantes naquela cidade desconhecida, temida por muitos e visitada somente por obrigação e/ou devoção.
Como em qualquer cidade, existe uma divisão social que pode ser rapidamente percebida: as famílias mais ricas e tradicionais estão em melhor localização (nas ruas principais), possuem fachada suntuosa e muito bem cuidada, já os meros mortais (literalmente), têm morada mais simples, nem sempre com boa manutenção, ficam em lugares onde o acesso é mais difícil e geralmente há mato cobrindo a entrada da moradia.
Apesar dessas diferenças, nesta cidade todos têm uma condição que os tornam irreversivelmente iguais: a ausência de vida. E para os que ainda não são moradores dessa cidade (ou de outras semelhantes a essa), o que mais incomoda é a certeza de que um dia, cedo ou tarde, estaremos indo para ela, seja na condição de visitante ou na condição de morador perpétuo.
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Revelo-me ao Pânico
ResponderExcluirCatapultado me sinto,
Adverso ao perigo
E à misericórdia dos deuses.
Legado ao isolamento me encontro
Ostentando minha ansiedade faminta
Silenciosa e vingativa
... Enlouqueço.
Rindo feito um parvo
Meu juízo me expulsa.
Bebo na fonte da insanidade
Enfraquecendo meus neurônios livres.
Revelo-me ao pânico
Correndo em todas as direções
Em busca do caos
Ora organizado, ora sem nexo.
Caminho perdido,
Redescobrindo um mundo novo,
Um lugar incerto, inconsciente,
Onde o tempo não se faz presente.
Cá estou eu entre quatro paredes,
Refugiando-me na minha própria loucura,
Ora submetido em uma camisa-de-força,
Ora entre depósitos nauseabundos.
*(Agamenon Troyan)