Nunca havia estado naquele lugar antes. Tudo era novidade e o meu olhar era curioso em relação a tudo que via. Medo? Não, não havia nenhum.
É uma cidade. Tem seus moradores, leis, administração própria, mapa que indica as quadras, os nomes das ruas e os números dos domicílios. Tudo para facilitar a localização dos visitantes naquela cidade desconhecida, temida por muitos e visitada somente por obrigação e/ou devoção.
Como em qualquer cidade, existe uma divisão social que pode ser rapidamente percebida: as famílias mais ricas e tradicionais estão em melhor localização (nas ruas principais), possuem fachada suntuosa e muito bem cuidada, já os meros mortais (literalmente), têm morada mais simples, nem sempre com boa manutenção, ficam em lugares onde o acesso é mais difícil e geralmente há mato cobrindo a entrada da moradia.
Apesar dessas diferenças, nesta cidade todos têm uma condição que os tornam irreversivelmente iguais: a ausência de vida. E para os que ainda não são moradores dessa cidade (ou de outras semelhantes a essa), o que mais incomoda é a certeza de que um dia, cedo ou tarde, estaremos indo para ela, seja na condição de visitante ou na condição de morador perpétuo.
terça-feira, 19 de junho de 2012
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