sábado, 10 de julho de 2010

A casa e o jardim

Não havia nada planejado. Não pensava que iria conhecer uma casa onde sentisse vontade de entrar, de conhecer seus cômodos e as histórias que já abrigaram. Simplesmente aconteceu.
Inicialmente sentiu-se atraído pela fachada, a qual lhe pareceu bonita. Depois de contemplá-la observou que existia uma porta entreaberta. O desejo de entrar para conhecer seu interior foi irresistível. Entrou com a cautela que é necessária quando se chega a um lugar novo, desconhecido. Seus olhos eram de curiosidade, revistavam tudo com muita atenção, como se não quisessem perder nenhum detalhe.
Percebeu que até bem pouco tempo aquele espaço, hoje aparentemente vazio, estava habitado. Parecia ter sido deixado repentinamente, pois ainda encontrou alguns objetos de uso pessoal espalhados pelos cômodos, como se a partida tivesse sido inesperada, sem que houvesse tempo para recolher os pertences. Questionou-se o que haveria motivado tal saída? Afinal, tudo lhe parecia tão bonito, aconchegante e acolhedor. Os vestígios (fotos, recortes, objetos, odores) davam sinal de uma convivência feliz.
Após percorrer todos os cômodos, chegou ao jardim. Ali percebeu que faltou cuidado do(s) antigo(s) morador(es): as plantas estavam murchas, a ponto de morrerem. Faltou água, troca de terra e de vaso. Faltou atenção e cuidado. Uma pena, pois parecia ter sido um jardim bonito.
Felizmente, parece que chegou a tempo de socorrer o jardim. Como que por instinto, tal como se socorre alguém que está morrendo, pegou água para regar as plantas, improvisou uma pá de jardinagem e em algumas horas sentiu-se com a sensação de dever cumprido. Afinal, aquele jardim estava destoando daquela casa tão bonita.
Sabia que aqueles primeiros socorros não garantiriam a salvação do jardim. Seria necessário voltar àquela casa, aquele jardim. Sentiu-se importante e necessário para aquela casa. Estava pronto para voltar ali todos os dias, quantas vezes fossem necessárias. Percebeu então que o cuidado com o jardim era a justificativa que precisava para voltar outras vezes àquela casa, onde se sentiu tão confortável.
De alguma forma, sentia retribuição por parte da casa. Talvez por isso, sabia que iria voltar.

3 comentários:

  1. Amida, amei esse texto (já disse!)!
    Estou aqui torcendo para que o encontro do jardineiro com esse jardim tão lindo e abandonado seja muito produtivo... mas acima de tudo, belo e agradável!
    Beijos!

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  2. Um jardim bem cuidado e feliz.. É o que te aguarda cm certeza, amiga...
    Amei o texto!!! Lindooooooo

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  3. Lindo, lindo, lindo! Parabéns, Drica!
    Beijinhos

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